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Novidades e dicas sobre mercado financeiro.

Destaques Da Semana - (09/Dezembro)

As principais notícias, dados e acontecimentos que marcaram a semana no mercado.

Escrito por: Guilherme de Oliveira Pampolin

 

Reforma Tributária nos Estados Unidos

Ao apagar das luzes da semana anterior, o Senado norte-americano aprovou a maior reforma tributária desde 1980, como tentativa de melhorias na economia e aumento da renda real da população, que está estagnada há 3 décadas. O presidente Trump está próximo do seu primeiro grande êxito como presidente eleito e contou com apoio dos senadores, os quais são em sua maioria republicanos, vencendo a votação por 51 favoráveis contra 49 contrários.

O corte da alíquota paga por empresas passaria de 35% para 20%. Hoje os Estados Unidos pagam 25% do PIB de impostos, enquanto, comparativamente, o Brasil paga 32% e os países desenvolvidos, em média, 22,5%. O projeto ainda inclui alterações em parte do sistema de saúde do país, no health care/Obamacare, que poderá deixar 13 milhões de habitantes sem seguro saúde. Em adição, a classe média pagaria menos no Imposto de Renda até 2027 e foi dado o aval a uma emenda para a exploração de petróleo em área de proteção ambiental do Alasca.

A Reforma divide opiniões:

Aos contrários: a medida aumentará a dívida pública, estagnará o crescimento econômico, dará benefícios aos ricos e pode poupar até US$1 bilhão das empresas do presidente (segundo o “New York Times”.

Aos favoráveis: empresas investirão mais para aumentar o crescimento econômico (compensando a perda em arrecadação), cairão os custos, aumentará a competitividade e o emprego, salários subirão e oferta crescerá antes da demanda.

O Senado e a Câmara ainda vão discutir para chegarem a um texto final.

 

Produção Industrial e Inflação

A produção industrial do país apresentou números positivos em outubro, segundo o IBGE, avançando 0,2% no mês e 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse é o melhor resultado em 4 anos, ou seja, desde outubro de 2013. Os veículos automotores, reboques e carrocerias (+27,4%), acompanhados dos produtos farmacêuticos (+20,3%) e bebidas (+4,8%), impulsionaram o resultado. Negativamente, tivemos, principalmente, os setores de produtos alimentícios (-5,7%), higiene pessoal (-3,2%) e produtos derivados do petróleo (-2,6%).

Apesar do setor estar se recuperando, após 2 anos negativos, a produção industrial ainda está em níveis similares à do início de 2009. Há grande margem de recuperação econômica sem necessidade de novos investimentos, dada a enorme capacidade excedente/ociosa existente, que também não faz com que os preços sejam pressionados para cima. Com isso, o nível emprego só deve mostrar sinais mais significativos de recuperação no futuro.

Enquanto isso, durante a semana também tivemos a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA de novembro, tratado como principal resultado da inflação. Os principais destaques foram a deflação do grupo alimentos e o aumento do custo da alimentação fora de casa e da energia elétrica. Dessa vez, tivemos uma inflação de 0,28% ao mês, segundo o IBGE, menor índice para o mês desde 1998. No mês anterior, o avanço foi de 0,42%. No acumulado para 12 meses pode-se observar uma taxa positiva de 2,80% , número baixo comparado à situação enfrentada em um passado próximo do país. A inflação segue controlada, abaixo do piso da meta (3%), reflexo da forte desaceleração da economia devido ao grande período de recessão que só nos últimos meses engatinha para uma retomada. Com esse aumento de preços pouco agressivo, os juros também possuem margem para cair, como veremos adiante.

 

 

 

Queda na Taxa de Juros

A taxa básica de juros, Selic, atingiu recorde HISTÓRICO, após cair pela décima vez consecutiva. Ela é um dos principais instrumentos da política econômica para controle de inflação e arma para política monetária. Quando a inflação está alta, utiliza-se o aumento da Selic para controla-la, a partir do esfriamento do consumo e do investimento já que o crédito fica encarecido e as aplicações financeiras remuneram nominalmente mais. Assim, com uma demanda menor para consumo, os preços tendem a cair. Esse é o menor patamar da taxa desde o início da série histórica do Banco Central, que começou em 1986. O decréscimo foi de 7,5% a.a. para 7% a.a., levando a um objetivo contrário ao do aumento da taxa, ou seja, o consumo e o investimento são incentivados a fim de movimentar a atividade econômica, levando em conta que passamos por 13 trimestres de retração econômica.

O país, mesmo com a queda histórica, apresenta uma taxa altíssima na comparação com o mundo. Ainda que tracemos um paralelo com países próximos à nossa realidade, ainda são mais altas do que as do Chile, Colômbia, Índia, México e Peru, por exemplo.

A Selic é um parâmetro para as taxas de juros praticadas no mercado e, assim, os custos dos empréstimos tendem a cair, sem serem exatamente iguais a 7% ao ano, pois há mais uma série de variáveis que influenciam na taxa de risco. Ainda assim, significam crédito mais barato às empresas, que, com custos menores, são incentivadas ao processo de inversão para gerar emprego e renda. O Governo também pode ter mais facilidade devido à redução dos custos do déficit público, auxiliando no processo de reajuste fiscal do país.

Em contrapartida, investimentos de renda fixa ficam com rentabilidades menores, o que não necessariamente é um problema, já que a inflação está baixíssima, mantendo uma rentabilidade real ainda alta. Ainda assim, o fluxo de investidores para o mercado de renda variável tende a crescer, buscando maiores rentabilidades, ainda que sujeitos à volatilidade.

 

Bolsa e Câmbio

Devido ao crescimento de uma baixa expectativa em relação a ocorrência da Reforma da Previdência ainda neste ano causado por informações como, por exemplo, uma reunião onde participaram representantes do mercado junto ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que foi marcada pela demonstração de baixa confiança na obtenção dos votos necessários para a realização da reforma por parte de Maia. Dessa forma o Ibovespa oscilou bastante, atingindo a mínima de 71.531 pontos nessa semana. Ontem, dia 08/12, o índice manteve uma média de 73.097 pontos, fechando a 72.731 pontos, o que representa uma melhora de 0.34% em relação ao dia anterior.

Também relacionado com a incerteza da ocorrência de uma reforma previdenciária, o dólar se apresentou bastante oscilante nesta semana. Em seu momento mais crítico o mesmo subiu 2.71%, passando a R$3,3186, sendo essa a maior oscilação desde o dia 18 de maio, onde, devido ao vazamento do áudio da conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer, chegou a subir 8.85%.

Ontem a moeda americana fechou seu preço em R$3.2950, segundo o Valor Data.