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IPO de Empresas Brasileiras no Exterior

A operação de IPO é realizada por diversas empresas visando capital para a realização de projetos, pagamento de dívidas e processos de fusão. Em busca de menores custos e menos burocracia, empresas brasileiras tem optado por realizar seu IPO no exterior.

Escrito por: Isabela Corrêa e Miriam Rueda

 

O termo IPO, do inglês Initial Public Offering ou Oferta Pública Inicial, é o nome dado a operação de uma empresa quando ela abre as vendas de suas ações no mercado pela primeira vez. Normalmente as empresas precisam de dinheiro para realizar projetos, pagar dívidas ou, até mesmo, na compra de outras empresas no processo de fusão; para ter esse dinheiro as empresas possuem diversas opções: empréstimos ou financiamentos, emissão de debêntures e a emissão de ações no mercado da bolsa de valores. As duas primeiras alternativas acabam sendo carregadas de taxas e juros futuros, enquanto a última opção, é a mais tradiciona. Apesar de ter um alto gasto em sua realização, garante uma grande entrada de capital na empresa.

Mas, antes, é preciso decidir em qual mercado negociar, pois, cada um tem suas particularidades, afetando o resultado da venda de acordo com essas características. Por isso, algumas questões devem ser analisadas em cada mercado como a valorização desejada, os requisitos obrigatórios do mercado, o tamanho e a amplitude da base de investidores, as tendências de liquidez de longo prazo no mercado e o apetite atual por novas listagens, entre diversas outras observações técnicas que devem ser analisadas minuciosamente para que o IPO alcance o resultado desejado.

 Para que esta operação seja possível, primeiramente as empresas devem ter ou fazer um registro de companhia aberta no órgão regulador do mercado de valores, a CVM – Comissão de Valores Mobiliários – no Brasil, que exigirá do Presidente e do Diretor de Relações com Investidores declaração quanto a eficiência da estrutura de controle interno que dão suporte a preparação das demonstrações financeiras, bem como deficiências e recomendações quanto às melhorias necessárias aos controles interno. Caso as informações fornecidas não forem corretas poderá haver consequências legais. É preciso também uma autorização para vender as ações e para listá-las na bolsa. Após adquirir todas as permissões, o prospecto da oferta é elaborado pelos donos das companhias para o público investidor detalhando sobre a operação e sobre o futuro do negócio para que quem estiver disposto a adquirir ações da empresa saiba seu plano administrativo, a situação do mercado e os riscos inseridos em sua aquisição. Tal situação envolve um ou mais bancos de investimento que são responsáveis por fazer o valuation, ou seja,

uma análise, segundo os especialistas, para avaliar demonstrativos financeiros e fazer a valoração corrente da empresa e de suas ações. O processo demora cerca de um ano e seu custo é superior a 2 milhões de reais, além de 1 milhão de reais anualmente por ser uma empresa pública.

A distribuição das ações pode ser primária ou secundária. No primeiro caso, a empresa emite novas ações para serem vendidas ao público, aumentando sua base acionária e ao final da operação, o dinheiro fica para a própria empresa. Já, no segundo caso, as ações colocadas à venda já existem e geralmente são papéis de sócios que decidiram reduzir sua participação, assim, os recursos obtidos vão para os acionistas que eram os antigos donos destas ações.

Muitas vezes, quando as empresas estão analisando em que mercado abrirão seu capital, decidem que o país onde a empresa atua não é ideal, e optam por abri-lo na bolsa de outro país. Isso acontece bastante com empresas brasileiras, e a maioria das que decidem abrir o capital no exterior opta por fazer o IPO em importantes bolsas americanas como Nasdaq e Nyse. No caso de empresas brasileiras de tecnologia, ou empresas médias sem um histórico muito amplo é ainda mais frequente essa busca por realizar suas ofertas no mercado americano, pois o mercado brasileiro tende a investir em empresas sólidas, muito bem estruturadas e consolidadas e não demonstra interesse pelo segmento tecnológico.

Outro motivo que leva empresas brasileiras a abrirem seu capital nas bolsas americanas é o custo mais baixo no exterior. A B3 (ex-BM&FBOVESPA) argumenta que os custos da bolsa em si não são mais elevados que de bolsas estrangeiras, e que o que deixa o processo mais caro no Brasil são custos como advogados, auditores, implementação de novas áreas necessárias em uma empresa de capital aberto. No entanto, há quem discorde que os custos de abrir o capital na B3 sejam semelhantes aos das bolsas americanas.

Alguns exemplos recentes de empresas que atuam no Brasil e realizaram o IPO em bolsas americanas são a Netshoes e a Decolar.com. A Netshoes, comércio eletrônico brasileiro de artigos esportivos, abriu seu capital em abril desse ano na bolsa de Nova York (Nyse). Em sua estreia na bolsa, as ações começaram o dia valendo US$18,00 e sofreram uma queda fechando o dia a US$16,10. Porém o primeiro dia das ações na bolsa não necessariamente é parâmetro para medir o sucesso. Alguns dias após a abertura, as ações apresentaram uma pequena queda, seguida de uma valorização significativa; em pouco mais de um mês, as ações estavam valendo US$26,73; em seguida houve um leve baixa mantendo-se por três meses na faixa de US$20,00. Desde o começo de agosto as ações caíram um pouco e vêm oscilando entre US$11,00 e US$13,00.

 A Decolar, maior operadora on-line de passagens aéreas da América Latina, apresentou o pedido de IPO no dia 08 de agosto desse ano, e em setembro iniciou a oferta. A empresa arrecadou US$ 332 milhões, com o lançamento de 12,8 milhões de ações, com o preço na faixa de US$23,00 a US$26,00 conforme havia sido indicado anteriormente. Do total dos recursos movimentados no IPO, cerca de US$ 225 milhões correspondem à oferta primária, ou seja, representam entrada de dinheiro novo para a companhia. O restante são recursos que vão para os acionistas vendedores. Uma das pretensões da empresa para essa parcela correspondente à oferta primária, é a aquisição de outras empresas do ramo na América Latina. Os bancos coordenadores da oferta foram o Morgan Stanley e Citigroup, com distribuição de Itaú BBA, UBS, Cowen e KeyBanc Capital Markets.

Há vários casos também, em que a empresa opta por abrir seu capital em mais de uma bolsa. A Azul, por exemplo, abriu seu capital em abril desse ano na B3 e na Nyse. O preço da oferta foi 21 reais por ação, a oferta primária foi a venda de 63 milhões de ações (1,323 bilhão de reais) e a secundária 33.239.837 ações (698 milhões de reais). Aproximadamente 70 por cento das ações foram vendidas na Bolsa de NY e o restante na B3.

Além dos motivos já mencionados, um outro fator que pode levar empresas a deixarem de abrir seu capital no país onde atuam, é o cenário político e, principalmente, econômico do país. Durante julho de 2015 a outubro de 2016, a B3 passou um longo período sem que nenhuma empresa realizasse o IPO junto á ela, isso devido à conjuntura do Brasil. Só após esse período que empresas voltaram a abrir seu capital aqui. O ano de 2017 começou com expectativa de até 20 empresas brasileiras realizarem seu IPO na B3. Algumas das empresas que aguardam aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para seguir com suas ofertas iniciais são a rede varejista Atacadão, a resseguradora IRB Brasil, a empresa de tecnologia Tivit, a operadora de planos de saúde Notre Dame, a companhia de agronegócio Biotoscana e a Ômega Geração. O Banco Inter (antigo Intermedium) também já começou o processo e deve fazer o pedido à CVM em breve.

O processo de IPO, embora possa demandar muito trabalho e muitos gastos para as empresas, costuma ser uma boa forma para que elas consigam recursos que a permitam expandir ou dar continuidade aos seus negócios. É um processo muito utilizado, e que, se tudo der certo (se houver demanda suficiente pelas ações, se todos os requisitos estabelecidos pelo mercado forem cumpridos, se a liquidez de longo prazo do mercado escolhido for boa, entre outras coisas que levam ao sucesso da IPO),  trará boas perspectivas às empresas.

 

 

 

 

Bibliografias:

 

https://exame.abril.com.br/mercados/entenda-o-que-e-ipo/

https://www.pwc.com.br/pt/auditoria/mercado-capitais/como-realizar-ipo.html

https://www.tororadar.com.br/investimento/bovespa/ipo-o-que-e-como-funciona

https://canaltech.com.br/bolsa-de-valores/o-que-e-e-como-funciona-um-ipo/

https://dicadehoje7.com/acoes/por-que-empresas-fazem-ipo/

https://exame.abril.com.br/mercados/empresas-brasileiras-de-tecnologia-miram-bolsa-dos-eua/

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2017/08/1911807-empresas-buscam-ipo-no-exterior-devido-a-custo-alto-no-brasil.shtml

https://exame.abril.com.br/negocios/decolar-com-preve-aquisicoes-no-brasil-apos-ipo-de-us-332-mi/

https://exame.abril.com.br/revista-exame/apos-recessao-empresas-se-preparam-para-entrar-na-bolsa/

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/bovespa-registra-1-abertura-de-capital-apos-16-meses-de-seca-20380990

http://www.valor.com.br/empresas/4945012/azul-conclui-ipo-no-brasil-e-exterior-e-capta-r-2-bilhoes

http://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2017/06/epoca-negocios-brasil-pode-ter-mais-20-ipos-ainda-neste-ano-diz-ceo-da-b3.html