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As Oscilações Históricas Da Bolsa De Valores Brasileira (1994-2017)

Nesse artigo iremos analisar a instabilidade política, implantação do Plano Real, Impeachment da presidente da República e outras situações agravantes que levaram a oscilações bruscas e agressivas do principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa.

Escrito por: Leonardo de Santis Maximino

 

Desde a criação da primeira bolsa de valores e do início da negociação de títulos e ações, as oscilações de preços estão presentes e atuam como um importante termômetro da situação política e econômica do país. Cada tipo de ativo tem suas particularidades e características setoriais que influenciam sua variação de preço, porém existem fatores que acabam por afetar todos os tipos de ativos e índices do mercado, sendo eles: O cenário macroeconômico; o cenário político e o otimismo/pessimismo dos agentes em relação a esses dois.

A situação do Brasil no período analisado foi extremamente conturbada, com muita instabilidade política, implantação do plano Real, impeachment da presidente da República e outras situações agravantes que levaram a oscilações bruscas e agressivas do principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa, como podemos observar no gráfico abaixo.

 

Muitas dessas oscilações bruscas levaram ao circuit breaker¹ da bolsa, que é uma ferramenta de segurança que interrompe o pregão devido a quedas muito acentuadas no índice Bovespa, e que visa conter o ímpeto dos investidores em relação a venda dos ativos e rebalancear as compras e vendas, evitando assim uma queda maior. Nesse artigo iremos analisar as principais causas das interrupções ocorridas nos pregões e relacionar com os acontecimentos históricos que levaram a isso.

O circuit breaker foi acionado pela primeira vez na Bovespa no dia 27 de outubro de 1997, devido aos reflexos da crise financeira asiática nas bolsas de valores. O enfraquecimento da moeda tailandesa, o Thai Baht, foi o estopim dessa crise. Devido a isso, o governo tailandês decidiu adotar o câmbio flutuante, e isso fez com que a dívida externa tailandesa se tornasse muito grande e onerosa. Conforme o tempo passava, a crise se espalhou para o Sudeste Asiático, afetando inclusive o Japão, e isso causou uma desvalorização enorme no mercado acionário, pois muitos investidores que acompanhavam os prejuízos do continente asiático decidiram vender seus papéis para fechar o dia com um prejuízo menor. A grande oferta de ações gerou uma queda acentuada de preços, que derrubou o índice Bovespa em três momentos, nos meses de outubro e novembro de 1997, que levaram ao acionamento do circuit breaker, vide gráfico abaixo:

A crise financeira Russa de 1998 foi outro momento histórico que teve impacto no mercado brasileiro. Nos anos 90, a Rússia passou por uma crise econômica com altas taxas de endividamento, desemprego, inflação e baixo índice de crescimento econômico, fato que se deu por conta de uma transação acelerada e mal planejada de uma economia planificada para a economia de mercado, juntamente com o colapso político e a dissolução da União Soviética em 1991. A partir de 1992, a Rússia buscou implementar uma política de choque econômico em direção ao capitalismo de mercado, que falhou devido a incapacidade de reestruturar os setores tradicionais e criar novos. A queda no preço internacional das commodities e a dificuldade de obtenção de crédito internacional devido à Crise Financeira Asiática fez com que o país não conseguisse pagar suas dívidas de curtíssimo e curto prazo, que somadas davam o montante de US$120 bilhões². Como consequência, a Rússia declarou moratória de sua dívida e desvalorização do Rublo, afetando diversos países inclusive o Brasil, um dos seus credores, acumulando uma perda de US$30 bilhões nas contas e um total de cinco circuit breakers³.

No ano de 1999, final da década de 90, houve uma mudança no regime cambial nacional. Durante do período de 1995 a 1998, o Brasil utilizava o regime de Banda Cambial, que estipulava uma faixa de cotação em que o câmbio poderia flutuar livremente, e caso a taxa de câmbio saísse desse intervalo o Banco Central intervia realizando operações de swap cambial (http://lmfunesp.com.br/noticias/derivativos-swaps) para retomar o limite estabelecido. Com a implementação do câmbio flutuante, o valor da taxa de câmbio poderia então oscilar livremente diante da oferta e demanda do mercado. Vale ressaltar que o Brasil adota o limite de câmbio flutuante sujo, pois ainda existe intervenção do Banco Central, que visa corrigir movimentos desordenados na taxa cambial. Como as reservas internacionais estavam muito baixas devido à grande saída de dólares do país, e após o mecanismo de controle por Banda Cambial não estava mais funcionando, o Banco Central decidiu permitir a flutuação do câmbio. Como consequência da mudança do regime cambial, houve uma desvalorização rápida do real frente ao dólar, que atingiu R$1,9824 em 28 de janeiro de 1999. Toda essa situação de instabilidade cambial e econômica foi responsável pela queda no preço das ações, fazendo com que o circuit breaker fosse acionado duas vezes.

 

 

No ano de 2008, durante a Grande Recessão, que ocorreu em parte por culpa das agências de rating4, a bolsa brasileira sofreu severas quedas no seu principal índice. A falência do banco Lehman Brothers, quarto maior dos Estados Unidos, e a transformação dos CDOs emitidos pelas instituições financeiras em pó, causaram um baque global gigantesco. Muitos investidores estrangeiros que operavam na Bovespa foram obrigados a desfazer suas posições para cobrir o prejuízo causado na bolsa americana. Essa euforia no mercado internacional e o cenário caótico proveniente da eclosão da crise foi responsável por movimentações intensas na bolsa brasileira, que oscilou de forma indiscriminada em vista da fuga de capital que estava ocorrendo. Durante os meses de setembro e outubro, o circuit breaker foi acionado seis vezes, quantidade recorde na história do mercado acionário brasileiro. 

 

Mais recentemente, no mês de maio deste ano, o circuit breaker foi acionado. Diante da instabilidade política que o país está enfrentando e a insatisfação popular com o Governo, o mercado acionário se mostrou extremamente sensível a instabilidades políticas. Na manhã do dia 18 de maio, o dono da JBS, Joesley Batista, liberou os áudios de uma gravação suspeita envolvendo o presidente da República Michel Temer, em que o segundo supostamente dá o aval para compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Por conta disso, neste dia a Bolsa já abriu em queda e a desvalorização das ações da CMIG4 (-41%), ELET3(-21%), JBSS3(-9%), PETR3(-11%) e PETR4(-15%) levaram o índice para baixo, fazendo com que o acionamento do circuit breaker se mostrasse necessário para conter a euforia dos investidores. Nesse dia a bolsa fechou em 61.597 pontos, quase seis mil pontos a menos em comparação ao dia anterior.

 

Analisando os casos históricos citados anteriormente, podemos observar a importância do circuit breaker na contenção de quedas vertiginosas na bolsa de valores. Além disso, é possível observar que cada vez mais os mercados globais estão conectados e acabam partilhando os efeitos negativos de crises globais, fazendo com que a bolsa brasileira esteja inevitavelmente exposta a fatores econômicos e políticos exógenos.

 

 

Fontes:

1: Para informações mais detalhadas sobre circuit breaker, acesse: http://www.portaldoinvestidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/funcionamento_mercado/circuit_breaker.html

2: http://congressionalresearch.com/98-578/document.php?study=The+Russian+Financial+Crisis+of+1998+An+Analysis+of+Trends+Causes+and+Implications

3: Apesar do gráfico apontar quatro quedas acentuadas, ocorreram dois circuit breakers no dia 10 de setembro de 1998, totalizando cinco.

(4): http://lmfunesp.com.br/noticias/o-papel-das-ag%C3%AAncias-de-rating-na-crise-de-2008

(5): https://www.tororadar.com.br/blog/circuit-breaker-o-que-e-bovespa-historico

(6): https://finance.yahoo.com/